EDIÇÃO 02 - SETEMBRO DE 2007
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DIREÇÃO GERAL:
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COORDENAÇÃO:

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DIREÇÃO EXECUTIVA:
Morris Kachani e Ricardo Feldman

CHEFIA DE REDAÇÃO :

Cássia Fragata

EDIÇÃO:

Cristina Ramalho e Sérgio Miguez

PROJETO GRÁFICO :

Eduardo Foresti

DIREÇÃO DE ARTE:

Andrea C. Aiub

DIAGRAMAÇÃO:

Carol Grespan e Fernando Pires

PRODUÇÃO :

Juliana Calderari

REVISÃO:

Ana Elisa Camasmie

PUBLICIDADE:

milena@livrariacultura.com.br

COLABORADORES:

André Forastieri, Eduardo Martins, Fábio Reynol, Juliana Terpins, Manuel da Costa Pinto, Miriam Sanger, Orlando, Paulo Ramos, Rafael Define, Vanessa Bueno

PRODUÇÃO GRÁFICA :

Elaine Beluco

PRÉ-IMPRESSÃO:

Aquarela

IMPRESSÃO
IBEP Gráfica
JORNALISTA RESPONSÁVEL:

Morris Kachani (MTB 29.261)

Setembro 2007 - Nº 02

WEB DESIGN:
Agência Sicomunic
Tel: (11) 5842-7292
As resenhas são de
responsabilidade das
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Não estranhe se você passar pelas estantes da Livraria e vir uma revista em quadrinhos de super-heróis. A bem da verdade, não é uma revista. Mais parece um livro de luxo. O for­mato é diferente, em capa dura e papel especial. Mas o conteúdo é em quadrinhos, sim.
Uma coleção chamada Biblioteca Histórica Marvel reedita no Brasil as primeiras aven­turas dos heróis da editora Marvel Comics, uma das “tops” do mercado norte-americano. A série de luxo começou a ser publicada neste ano e é vendida em lojas especializadas em quadrinhos e em livrarias. Já há três volumes à venda.
Um quarto, com a estréia dos mutantes X-Men, está prestes a ser lançado.
O primeiro livro começou a ser vendido em junho deste ano. A edição aproveitava a estréia do segundo filme do Quarteto Fantástico e trazia as dez primeiras aventuras da família de heróis. As histórias foram lançadas nos Estados Unidos entre novembro de 1961 e janeiro de 1963. No Brasil, o material foi publicado pelas editoras EBAL e Bloch na década de 70.
O Quarteto Fantástico é o começo ideal para uma coleção como essa. Foi a revista do grupo que deu o pontapé inicial para uma mudança de rumo na forma como as histórias dos super-heróis eram contadas até então. Nada de personagens intocáveis e perfeitos. A proposta era tornar os defensores bem mais humanos e, por conseqüência, passíveis de falhas e questionamentos.
O Coisa – integrante mais carismático do Quarteto – carrega a cruz de ser um bruto preso num corpo de pedra. Ficou assim num acidente espacial. Raios cósmicos lançados sobre a nave deram a ele a forma de uma “coisa”, nome que assumiu. Os outros membros da equipe ganharam poderes especiais: de se transformar em um homem de fogo (Tocha Humana), de esticar partes do corpo (Homem Elástico), de ficar invisível (Garota Invisível).  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HUMANIZANDO HERÓIS
A estratégia de humanizar os heróis – tão comum hoje – era algo inovador à época. E ia em trajetória diametralmente oposta à que seguia a principal editora do gênero, a rival DC Comics (de Super-Homem e Bat­man). Mas fun­cionou. O Quarteto Fantástico abriu caminho para outras criações “humanizadas”, como o Hulk e o Poderoso Thor, que desbancaram a DC. Mas foi com outro personagem que esse estilo realmente emplacou.
As primeiras aventuras do Homem-Aranha, lançadas em agosto no segundo volume da coleção Biblioteca Histórica Marvel, já dão um bom sinal do que havia de diferente no personagem. Não se tratava de um adulto com roupa de herói. Quem vestia o uniforme era um adolescente, Peter Parker, que usava óculos, era tido como o cdf da escola onde estudava e morava com a tia (que não economizava constrangedores mimos a ele).
Houve empatia imediata com os adolescentes que liam quadrinhos na época, a primeira metade dos anos 1960. O personagem criado por Stan Lee (o mesmo do Quarteto Fantástico) e Steve Ditko rapidamente se tornou a maior vendagem da Marvel, posição que manteve pelos anos seguintes. Até hoje, é um dos maiores faturamentos da editora. A passagem pelo cinema teve comportamento semelhante.

REUNINDO A TURMA
Quando os Vingadores  sur­giram, em 1963, o terreno para esse tipo de narrativa já estava consolidado. A idéia por trás da criação do grupo era pinçar alguns dos heróis solo da editora e reuni-los numa mesma equipe.  São essas histórias que foram reunidas no terceiro volume da coleção, publicado em agosto.
Integram a equipe o Poderoso Thor, Homem de Ferro (outro  personagem da Marvel que vai ganhar versão em longa-metragem), Homem-Formiga, Vespa e Hulk. Este era  para dar um tom de instabilidade à equipe. A meta foi atingida tão bem que a presença do gigante verde durou apenas as edições iniciais. No quarto número da revista norte-americana, os Vingadores ga­nham um novo membro, o velho Capitão América.
A precisão exige que se diga: trata-se de um novo integrante, mas de um antigo personagem. O herói foi criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby por causa da Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito, o personagem, que vestia uniforme com as cores da bandeira dos Estados Unidos, perdeu a função de ser. Caiu no esquecimento.
A volta dele exigiu de Stan Lee – ele, de novo – uma explicação tão criativa que até colou. O Capitão América cai nas águas geladas do oceano após tentar impedir a explosão de uma bomba em um avião. O parceiro dele, Bucky, morre no acidente. O Capitão América, por outro lado, permanece congelado por décadas até ser encontrado pelos Vingadores, que viajavam num submarino.

COLEÇÃO MARVEL:
A reedição em álbuns de luxo de clássicos das histórias em quadrinhos da década de 60


Na primeira história, desenhada pelo mesmo Kirby que o criou, o herói salva o supergrupo e se torna membro efetivo da equipe, embora se sinta deslocado no tempo (novamente, a editora evidencia o lado humano dos heróis). A edição de Biblioteca Histórica Marvel não mostra, mas, nos anos seguintes, ele se torna líder dos Vingadores e tem suas aventuras diretamente vinculadas às da equipe.
Com essas histórias humanizadas, fantasiosas e exageradamente ingênuas para os padrões de hoje, a coleção consegue atingir públicos diferentes, por motivos diferentes. O primeiro público é aquele leitor das antigas, na faixa dos 30, 40 anos, que leu as histórias em revistas das editoras EBAL e Bloch publicadas nos anos 60 e 70.

ITEM DE COLECIONADOR
Para esse leitor “trintão”, a coleção tem ares de saudosismo. É a chance de ele acompanhar antigas aventuras com um tratamento editorial melhor e nova tradução (as edições brasileiras nunca primaram por boas versões em português, algo que tem melhorado neste século). O livro adquire valor de item de colecionador. Colecionador que paga os cerca de 50 reais cobrados por cada uma das obras.
O outro público é o adolescente de hoje, fã de quadrinhos, que ainda não teve oportunidade de ler as primeiras histórias dos personagens vistos nas revistas mensais vendidas atualmente em bancas. Para esse leitor, a edição é cara. Pode-se imaginar um terceiro público leitor, ainda não familiarizado com a ida dos quadrinhos às li­vra­rias (mercado que cresceu 30% de um ano para cá – veja box). Os  pri­me­iros números  são po­­si­tivos. A editora que lança a série, Panini, diz que se surpreendeu com as  vendas dos três volumes iniciais. Tanto que já  programa outros para 2007. Para este ano ainda, anunciou uma edição  de luxo com as primeiras histórias de Batman, de 1939. Não custa nada repetir: não estranhe se você passar pelas estantes das Livrarias Cultura e vir um incrível livro luxuoso com os seus super-heróis preferidos. ©

 


O Brasil é o sexto país do mundo onde mais se lêem quadrinhos. Em todo o planeta, há uma  explosão no número de leitores de HQ, no faturamento das editoras e na qualidade e variedade dos títulos publicados. Tem para todos os gostos, de todos os gêneros, para todo leitor. Em formato de revista, livro ou na internet. Nos Estados Unidos, o mercado de graphic novels aumentou quatro vezes desde 2001. Cresce mais rápido que os músculos do Hulk.  Nenhuma outra categoria cresceu tanto neste período no mercado livreiro.
Os leitores responsáveis por essa renascença são adultos, velhos e novos fãs. Boa parte são leitores que cresceram lendo quadrinhos e nunca abandonaram a paixão. Nem teriam por quê. Os quadrinhos evoluíram com esta geração – em conteúdo, variedade, ambição e formatos.
E novos fãs adultos aparecem todos os dias. São atraídos por quadrinhos que geraram filmes que são sucesso de crítica e público, como 300, Sin City, V de Vingança ou mesmo o premiado Marcas da Violência, de David Cronenberg. Outras obras do mesmo calibre estréiam em breve – Stardust, The Spirit, Watchmen.
O volume de leitores não pára de aumentar também entre o grupo adolescente. Cada desenho animado japonês que estoura como mania televisiva captura novos fãs para os mangás. A cada seqüência de Homem-Aranha, milhões de teens passam a fuçar as bancas atrás das últimas novidades. Videogames como Warcraft e Metal Gear Solid já geram quadrinhos de sucesso. Este é um raro caso em que as mídias digitais estão colaborando para o sucesso de uma mídia impressa.
Porque os quadrinhos são isso: uma mídia, uma linguagem. Baseada numa idéia muito simples: colocar uma imagem após a outra para sugerir a passagem de tempo. Essa seqüência de imagens gera a narrativa visual que o artista usa para contar sua história (geralmente incluindo palavras; mas elas nem sempre são necessárias). O criador e estudioso norte-americano Scott McCloud define bem: “O coração dos quadrinhos está no espaço entre os painéis, onde a imaginação do leitor faz figuras estáticas criarem vida”. Não há nada na internet que substitua essa experiência de leitura.
Esse simples “truque” permite tantas variações de estilo, tema e abordagem quanto pessoas existem na Terra. Quem não lê quadrinhos porque acha que é coisa de criança confunde forma com conteúdo. Crianças devem ler quadrinhos de criança (existem muitos e ótimos). Adultos lêem o que quiserem – inclusive clássicos infantis como o Asterix de Uderzo e Goscinny, o Tio Patinhas de Carl Barks (sim, não é Walt Disney) ou o Homem-Aranha de Lee e Ditko.
O Brasil tem dezenas de criadores de primeiríssima linha na ativa, como Laerte, Marcatti, Allan Sieber, Wander Antunes, Wellington Srbek, Fábio Moon e Gabriel Bá. Muitos desenhistas trabalham diretamente para o mercado internacional, como Ed Benes, Ivan Reis, Deodato, Luke Ross, Marcelo Campos e Renato Guedes.
Nosso país tem pelo menos 30 editoras focadas em quadrinhos, com uma variedade infinita de autores e gêneros. Então vamos lá: é bom ler quadrinhos. Experimente.


 
 
 
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