s
regras práticas existem para
simplificar a vida das pessoas que se
empenham em falar ou escrever de maneira
adequada. Um grande risco desse tipo
de regra, porém, é tentar
ser prática demais e, ao invés
de ajudar, dificultar a compreensão
de questões complexas de linguagem.
Um bom exemplo desse fato
é o uso das formas por
que, por quê,
porque e porquê.
Ainda existe quem determine: o por
que é separado nas perguntas
e junto (porque) nas
respostas. Certo? Nem sempre.
Uma regra mais precisa
seria, talvez: usa-se por que,
separado, sempre que estiverem subentendidas
na frase as palavras razão
ou motivo. E o porque,
em uma palavra só, nas respostas.
Mesmo assim, há casos que não
se encaixam na regra. Então,
o melhor é entender cada um dos
diversos porquês.
1) Por que.
Usa-se o por que, separado e
sem acento, em dois casos: a) Sempre
que estiverem claras ou subentendidas
as palavras razão ou motivo.
Assim: Por que (razão)
você não chegou antes?
/ Por que (motivo) há
tanta violência nas ruas hoje
em dia? / Não sei por
que (razão) você
se afastou de nós. (Neste
caso, a interrogação é
indireta. Como se fosse: Por que
você se afastou de nós?)
Outro exemplo: O ministro não
conseguiu explicar por que
(motivo) os juros não caíam.
b) Emprega-se o por
que quando essa forma equivale
a para que ou pelo
qual, pela qual,
pelos quais e pelas
quais: Lutavam por
que (para que) houvesse
menos injustiças. / Estavam
ansiosos por que
(para que) ela voltasse. /
Este é o caminho por
que (pelo qual) seguiu.
/ Mataram a cobra por que
(pela qual) a criança fora
picada. / Eram os apelidos
por que (pelos
quais) todos as conheciam.
2) Por quê.
É o mesmo caso do item anterior,
mas o acento se impõe quando
o por que encerra a frase: Eles
erraram tudo na prova. Por
quê? / A empresa
os demitiu e eles nem perguntaram por
quê (foram demitidos).
/ Protestaram, mas não havia
por quê (protestar).
/ Vocês se atrasaram tanto,
meu Deus, por quê?
3) Porque.
Aparece em dois casos: a) Nas respostas,
quando equivale a pois,
portanto, pelo
fato de que. Exemplos: Compre
logo a entrada para o espetáculo
porque (pois)
o teatro vai ficar lotado.
/ Disse que queria porque
(pelo fato de que) queria sair.
/ Não gostou do livro porque
(pois) era difícil de ler.
b) Nas perguntas, quando
se sugere uma resposta: Você
não veio porque
perdeu o ônibus? / Eles
recusaram o emprego porque
a sede da empresa ficava longe?
4) Porquê.
É usado quando, como substantivo,
substitui (e não
deixa implícitas apenas) as palavras
razão, motivo,
causa e pergunta:
Não explicaram o porquê
(razão, motivo) da decisão.
/ Havia poucas respostas para muitos
porquês.
/ É uma pessoa cheia de porquês
(perguntas). / É bom esclarecer
todos os porquês
(causas) do caso.
Como se vê, a simplificação
exagerada não explica o por
que separado em texto sem ponto
de interrogação (trata-se
de uma indagação indireta)
nem o porque junto
em texto com interrogação.