voltadas
para o próprio umbigo. Está
na hora de olhar também para os
outros e seguir uma dinâmica de
interação, de civilidade.
A etiqueta representa a norma de convivência
com o outro, com o lugar onde se mora,
com o seu redor. É o princípio
da civilidade. Ninguém é
chique se não tiver essa interação.
Não adianta só estar com
uma roupa bonita. Chique não é
aparência, não é imagem,
é comportamento.”
Paulistana,
de família tradicional, Gloria
freqüentou o requintado Colégio
Des Oiseaux, das cônegas de Santo
Agostinho, convivendo com a elite da cidade.
Já formada em sociologia e política,
resolveu se dedicar ao jornalismo, onde
acabou enveredando para o lado da moda.
Na década de 1970, casada com o
industrial Roberto Kalil, começou
a trabalhar na Scala d´Oro, que,
na época, era uma das mais renomadas
tecelagens brasileiras.
Não
demorou muito para que se tornasse um
nome de destaque na área. Inovadora,
ela trouxe para o Brasil a griffe
italiana Fiorucci, uma das primeiras
linhas de jeans e moda jovem
no país. O sucesso da marca representada
pelos dois anjinhos foi enorme. “Foi
uma época intensa, em que fabricamos
as roupas, tivemos lojas próprias
e franquias. Eu, que tinha conhecimento
da matéria-prima, do tecido, passei
a entender também do produto final.
Infelizmente, em 1993, a marca quebrou
na Itália e tivemos de encerrar
nossas atividades.”
A partir
daí, Gloria passou a se dedicar
integralmente à consultoria de
estilo e negócios de moda. “Assim
como a etiqueta, a moda era considerada
fútil, até as pessoas perceberem
que é parte do comportamento, de
um sistema de renovação
permanente que faz o mundo capitalista
girar”, observa. “Esse sistema
não diz respeito apenas à
roupa. Não há uma atividade
que não precise estar permanentemente
se renovando para continuar provocando
desejo. A roupa revela a personalidade
de quem a usa, como qualquer opção,
aliás – é uma oferta
imensa e a pessoa escolhe aquela que melhor
a representa.”
De um projeto
criado para o Senac, saiu seu primeiro
livro, Chic,
em 1997, e, pouco mais de um ano após,
Chic
Homem.
Foram dois best sellers que, juntos, já
venderam mais de 200 mil exemplares. Seu
terceiro livro, Chic(érrimo)
moda e etiqueta em novo regime,
lançado em 2004, enfatiza, num
tom de agradável bate-papo, o respeito
pelas outras pessoas, indicando os caminhos
para a boa convivência. Com uma
edição primorosa, acaba
de ser lançado também em
Portugal. Além disso, a autora
participou de um dos primeiros quadros
de moda da TV brasileira, no programa
Mais Você, comandado por
Ana Maria Braga na Rede Globo, e criou
o primeiro site na internet sobre o tema:
www.chic.com.br.
Atualmente,
além de viajar por todo o Brasil
ministrando palestras e dar consultoria
de negócios, ela fornece dicas
de moda e etiqueta aos ouvintes da rádio
Eldorado, o que lhe rendeu o
prêmio Revelação
em rádio 2005, da Associação
Paulista de Críticos de Arte (APCA).
“Nesta altura da vida profissional,
ganhar um prêmio de revelação
demonstra que a gente nunca pára
de se renovar e de aprender”, ressalta,
anunciando seu mais recente projeto: um
grande seminário sobre marketing
de moda, que será realizado em
São Paulo no final de abril. O
evento vai reunir nomes de destaque no
cenário brasileiro e internacional.
Sua versatilidade
a leva a atingir um público bastante
diversificado. “Não tenho
dificuldade nem em falar nem em ouvir”,
reconhece. As dúvidas, conforme
constata, são as mais banais possíveis:
“Por incrível que pareça,
uma das maiores dificuldades que os homens
enfrentam é escolher a cor de meia
mais adequada. Sabe-se lá por que
uma pecinha tão pequena consegue
deixá-los tão desesperados!
Entre as mulheres, algumas perguntas não
falham, como se o sapato deve ser igual
à bolsa e por que a madrinha não
deve vestir roupa preta para ficar no
altar.”
É
sobretudo através da observação
que a consultora desenvolve as idéias
para os temas que costuma abordar. “É
o que eu vejo, o que sinto”, diz.
“Faz parte de mim prestar atenção
nos costumes, no que as pessoas pensam,
quais as suas dificuldades, em que as
coisas mudaram e elas não estão
percebendo. Tudo é assunto quando
se trata de comportamento: um programa
de TV, aquilo que se ouve ou se lê
no jornal, a maneira como as pessoas falam,
filmes, peças de teatro, livros...”
Por gosto
e para se manter atualizada, Gloria Kalil
faz questão de ir a concertos,
exposições de arte, cinema,
teatro, além de viajar e ler muito.
Vai com freqüência às
lojas da Livraria
Cultura,
tanto no Shopping Villa-Lobos como no
Conjunto Nacional. “É onde
costumo me abastecer de livros”,
comenta. “A Livraria
Cultura
tem uma imensa vantagem sobre as outras:
o excelente atendimento. Mais do que vendedores,
dispõe de consultores que ajudam
a encontrar o que a gente procura e dão
dicas preciosas sobre as novidades. Além
disso, se o livro não está
disponível no momento, eles providenciam
e entregam em casa.” |