preso a uma cama
durante quase 30 anos. Apesar de ser um sujeito vivaz
e cercado de amor – ou justamente por amar tanto
a vida –, tudo o que ele desejava era acabar
com o seu sofrimento e morrer de forma digna.
Mesmo
tendo a morte como tema central, Mar
adentro
consegue ser leve e iluminado, o que se deve essencialmente
à postura positiva do personagem. Sem exageros
de dramaticidade, o espectador acompanha com interesse
crescente o dia-a-dia e a luta de Ramón em
defesa da eutanásia. Para ele, somente alguém
que o ama de verdade será capaz de ajudá-lo
a realizar sua última viagem. Ao seu redor,
estão o irmão, a cunhada, o sobrinho
e o pai – todos muito zelosos, mas cada qual
com uma opinião diferente a respeito de seu
objetivo. Duas mulheres também adentram seu
mundo: Julia, advogada que o apóia em sua causa,
e Rosa, uma vizinha que tentará convencê-lo
de que viver vale a pena.
O desafio de interpretar o protagonista desta história
verídica coube a Javier
Bardem,
um dos maiores atores espanhóis da atualidade.
Ele teve de aprender a falar com sotaque galego e
compor um tipo totalmente diferente do seu, com o
corpo deformado pela imobilidade. O irretocável
trabalho lhe valeu a indicação ao Globo
de Ouro e o prêmio de melhor ator em Veneza.
Além disso, o longa-metragem venceu merecidamente
o Oscar 2004 de melhor filme estrangeiro.