MAIO -  2006     N 143
 VITRINE
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vó é mãe com açúcar? Na casa dos avós é sempre domingo? Os avós são uma novidade evolutiva? A partir de perguntas como essas, a psicoterapeuta Lidia R. Aratangy e o pediatra Leonardo Posternak exploram esse rico universo em Livro dos avós. O ponto de partida: comparar as próprias histórias – a vivência de uma avó com mais de 10 anos de prática e os sentimentos de um avô recém-empossado –, levando em conta a bagagem profissional de cada um, além de suas dúvidas, crenças e ansiedades.

O resultado é um livro bem-humorado, leve, adocicado (como um bolo de vovó) e recheado de relatos e constatações interessantes. Segundo os autores, pesquisas e estatísticas do mundo inteiro indicam que o século 21 será o século dos avós, geração que sacudiu profundamente as premissas do modelo burguês, entre elas a do casamento indissolúvel. “Os avós atuais fizeram aprovar o divórcio, foram protagonistas das primeiras experiências de casamento informal e os pioneiros em ensaiar uma convivência mais simétrica entre homens e mulheres.”

Diante de tantas mutações, qual é o papel dos avós na educação dos netos? De acordo com os escritores, “pais e avós precisam complementar mutuamente a informação de que dispõem, para que desse conjunto surjam soluções novas”. Para eles, uma criança precisa de pais, avós, tios, irmãos e primos. De preferência aliados, embora as divergências ensinem que o afeto tolera desigualdades e não exige convergência absoluta. “Desde que, naturalmente, as diferenças sejam lidadas de forma pacífica e respeitosa.”

No Pequeno manual de autopreservação, são apresentas dicas importantes sobre a participação dos avós na família. “Os conselhos só devem ser dados quando solicitados, com a consciência de que são apenas conselhos: sua experiência nem sempre serve para o momento dos filhos e netos” e “Use e abuse do arsenal de fotos e vídeos da família – as crianças adoram ver fotos de seus pais quando crianças” são alguns exemplos.

A atuação dos avós, como mostra o texto, requer um delicado equilíbrio entre estar disponível quando necessário e não ser invasivo. A arte de ser avô ou avó consiste, antes de tudo, na arte de ser pai ou mãe de filhos adultos. É preciso apoiar e ajudar os filhos sem oprimi-los, reconhecendo o direito que eles têm de cometer erros para aprender. Os pais novatos desejam que seus pais sejam fontes de segurança e autoridade, mas que apóiem e, de preferência, aprovem sua postura. E, também, que não tentem competir com eles seduzindo o neto por meio de mimos exagerados. Para evitar confrontos na questão das contravenções toleráveis ou não, a sugestão é que pais e avós conversem sobre os critérios por trás das regras.

Ainda que tenham uma visão crítica sobre a forma como criaram seus filhos, os avós sentem-se responsáveis por ensiná-los a exercer sua função de pais. “Nem sempre os pais que eles foram, mas os que gostariam de ter sido, associando autoridade e afeto”, enfatizam os autores. Das diversas reflexões sobre o tema, os leitores tiram lições preciosas como: “A riqueza de experiências ajuda a criança a formar um repertório variado, com mais recursos para lidar com as diferenças e, portanto, maior competência para viver novas experiências”.

 
 
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