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resultado é um livro bem-humorado, leve,
adocicado (como um bolo de vovó) e recheado
de relatos e constatações interessantes.
Segundo os autores, pesquisas e estatísticas
do mundo inteiro indicam que o século 21
será o século dos avós, geração
que sacudiu profundamente as premissas do modelo
burguês, entre elas a do casamento indissolúvel.
“Os avós atuais fizeram aprovar o
divórcio, foram protagonistas das primeiras
experiências de casamento informal e os
pioneiros em ensaiar uma convivência mais
simétrica entre homens e mulheres.”
Diante de tantas mutações,
qual é o papel dos avós na educação
dos netos? De acordo com os escritores, “pais
e avós precisam complementar mutuamente
a informação de que dispõem,
para que desse conjunto surjam soluções
novas”. Para eles, uma criança precisa
de pais, avós, tios, irmãos e primos.
De preferência aliados, embora as divergências
ensinem que o afeto tolera desigualdades e não
exige convergência absoluta. “Desde
que, naturalmente, as diferenças sejam
lidadas de forma pacífica e respeitosa.”
No Pequeno manual de autopreservação,
são apresentas dicas importantes sobre
a participação dos avós na
família. “Os conselhos só
devem ser dados quando solicitados, com a consciência
de que são apenas conselhos: sua experiência
nem sempre serve para o momento dos filhos e netos”
e “Use e abuse do arsenal de fotos e vídeos
da família – as crianças adoram
ver fotos de seus pais quando crianças”
são alguns exemplos.
A atuação dos
avós, como mostra o texto, requer um delicado
equilíbrio entre estar disponível
quando necessário e não ser invasivo.
A arte de ser avô ou avó consiste,
antes de tudo, na arte de ser pai ou mãe
de filhos adultos. É preciso apoiar e ajudar
os filhos sem oprimi-los, reconhecendo o direito
que eles têm de cometer erros para aprender.
Os pais novatos desejam que seus pais sejam fontes
de segurança e autoridade, mas que apóiem
e, de preferência, aprovem sua postura.
E, também, que não tentem competir
com eles seduzindo o neto por meio de mimos exagerados.
Para evitar confrontos na questão das contravenções
toleráveis ou não, a sugestão
é que pais e avós conversem sobre
os critérios por trás das regras.
Ainda que tenham uma visão
crítica sobre a forma como criaram seus
filhos, os avós sentem-se responsáveis
por ensiná-los a exercer sua função
de pais. “Nem sempre os pais que eles foram,
mas os que gostariam de ter sido, associando autoridade
e afeto”, enfatizam os autores. Das diversas
reflexões sobre o tema, os leitores tiram
lições preciosas como: “A
riqueza de experiências ajuda a criança
a formar um repertório variado, com mais
recursos para lidar com as diferenças e,
portanto, maior competência para viver novas
experiências”. |