união,
“ele nem sempre une, mas também
separa”.
Então, não
vale a pena se preocupar com o hífen?
Ao contrário: ele não
apenas existe como os erros que provoca
estão entre os três mais
comuns da língua portuguesa,
ao lado da crase e da concordância.
Na sua função
mais formal, o hífen serve para
separar as sílabas de uma palavra
(ver-ten-te), para ligar os
pronomes átonos ao verbo (fazê-lo)
e para criar conjuntos de letras e números
que representam coisas variadas (AI-5,
MPB-4, Atlético-MG,
etc.).
É na formação
de palavras compostas, porém,
que o sinal exerce sua principal finalidade.
Por palavra composta, pode-se entender
aquela cujos termos “mantêm
a independência fonética”,
segundo o conceito oficial, e se convertem
num conjunto com perfeita “unidade
de sentido”. Ela resulta da reunião
de vocábulos pertencentes a duas
ou mais categorias gramaticais (substantivo,
adjetivo, verbo, advérbio, preposição,
etc.).
Essa unidade de sentido
pode representar a soma dos significados
parciais, como em guarda-civil,
matéria-prima, homem-bomba,
corre-corre, pára-quedas,
decreto-lei, etc.
Num segundo caso, a palavra
final pode adquirir sentido figurado,
distanciando-se do significado dos termos
parciais: cachorro-quente,
pé-frio, mesa-redonda,
lua-de-mel, mala-sem-alça,
etc.
Mala-sem-alça,
por exemplo, não é o próprio
objeto, mas uma pessoa aborrecida, a
mesa-redonda (debate) pode
ter qualquer formato, e não é
a temperatura do pé que transforma
alguém em pé-frio.
Nem sempre o fato de
um substantivo estar ligado a outro
caracteriza uma palavra composta. O
substantivo pode desempenhar a função
de adjetivo e nesse caso não
existe hífen: carro esporte,
marca recorde, comício
monstro, funcionário
fantasma, fita cassete,
etc.
A principal dificuldade
no uso do hífen, porém,
se dá quando um prefixo se combina
com outro elemento para formar um composto.
Existe uma lista-padrão de cerca
de 30 prefixos que se combinam com uma
palavra com ou sem hífen, e cada
um desses elementos de composição
segue normas próprias, o que
leva, por exemplo, anti-social
a ter hífen e antidemocrático,
não, só para citar um
caso.
Ajudar a resolver essas
questões é o objetivo
do livro Uso
do hífen,
que este autor acaba de lançar
pela Editora Manole. O livro não
apenas expõe a teoria do hífen,
em linguagem simples, como relaciona
400 prefixos que se ligam com ou sem
hífen a outro elemento. E finalmente
apresenta uma lista de 21 mil palavras
compostas, com seus femininos e plurais.
Tudo isso na tentativa de tornar esse
tracinho um pouco menos trapalhão.