As
palavras do “caro Dr.
Watson”, narrador e
personagem de As
aventuras de Sherlock Holmes,
conferem novas feições
e humanizam a mais famosa
figura da literatura policial
inglesa: Sherlock Holmes.
Aos poucos, seu fiel e sensível
parceiro vai revelando aspectos
intrigantes da personalidade
excêntrica e impenetrável
do memorável detetive.
Chapéu xadrez e cachimbo
na mão, Holmes era
capaz de resolver os mais
intricados enigmas com sua
aguçada capacidade
de observar e deduzir.
De
tão fluente narrativa
e perfeita caracterização,
muitos sustentam a tese de
que se trata de um personagem
vivo. O argumento? “Morte
de pessoa tão famosa
com certeza teria sido noticiada
pelo Times de Londres,
que até hoje não
publicou nenhum obituário
seu”. De fato, o singular
detetive, criado pelo escritor
escocês Arthur
Conan Doyle
no século 19, inspira
inúmeras histórias
de mistério até
hoje. Segundo o estudioso
norte-americano Leslie
S. Klinger
– autor de inúmeros
artigos sobre a obra de Doyle
e de livros como The
Sherlock Holmes Reference
Library –,
“seus contos nunca pararam
de ser reimpressos desde que
foram lançados pela
primeira vez em 1891, e os
romances foram publicados
em praticamente todas as línguas”.
Para
o deleite dos fãs,
depois de realizar um extenso
trabalho de pesquisa, Klinger
organizou, em seis volumes,
que saem agora numa edição
primorosa da editora Jorge
Zahar, o registro mais completo
das histórias do marcante
personagem – Sherlock
Holmes - Edição
definitiva, comentada e ilustrada.
“Sherlock Holmes nasceu
na era vitoriana, mas no início
do século XXI, o interesse
pelo detetive, seus companheiros,
sua vida e suas aventuras
continua inquebrantável
– na verdade, cresceu.
As 56 breves aventuras e os
quatro romances que aparecerão
nesses volumes representam
tudo o que pode ser conhecido
com certeza sobre o Grande
Detetive e o Bom Doutor”,
explica.
A
nova série é
um passeio instigante e completo
pelo universo sherlockiano.
Traz mais de 600 notas, informações
minuciosas sobre a época
em que se passam os episódios,
ilustrações
de Sidney
Paget
(que originalmente acompanhavam
os textos), introdução
de John
Le Carré
(autor de O
jardineiro fiel)
e biografia de Conan Doyle.
Entre as principais referências
consultadas, estão
The Universal
Sherlock Holmes,
de Ronald L. DeWaal,
Encyclopaedia
Sherlockiana,
de Jack
Tracy,
e Canonical Compendium,
de Steve Clarkson.
Numa
sacada certeira, bem à
altura do personagem, o editor
do Baker Street Journal,
Edgar W. Smith, definiu de
forma precisa o carisma do
detetive: “Holmes ergue-se
diante de nós como
um símbolo de tudo
o que não somos mas
desejaríamos ser. (...)
Nós o vemos como a
expressão acabada de
nosso anseio por esmagar o
mal e corrigir os erros de
que o mundo está infestado.
(...) Esse é o Sherlock
Holmes que amamos –
o Holmes implícito
e eterno em nós mesmos”.
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