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 e
a água é a bebida por excelência,
para Tom
Standage, em seu livro História
do mundo em 6 copos,
há mais seis bebidas que se destacaram
na trajetória da humanidade: a cerveja,
o vinho, os destilados, o café, o chá
e a Coca-Cola. Segundo Standage, nos últimos
10 mil anos, elas assumiram funções
variadas, chegando a
ser usadas em transações
de escravos como moeda, em rituais
religiosos e até como fonte de inspiração
filosófica e artística. Algumas
têm servido para ressaltar |
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o
poder da elite ou para subjugar e apaziguar os
oprimidos. E, ainda, para celebrar nascimentos,
homenagear mortos, estabelecer e fortalecer relações
sociais, selar negócios e tratados, aguçar
os sentidos, entorpecer a mente, curar ou envenenar. |
Essas bebidas – das quais três
contêm álcool, três cafeína
– ganharam proeminência em momentos, lugares
e culturas diversos, desde as aldeias da Idade da Pedra
até os salões de festas da Grécia
antiga. A descoberta de uma forma rudimentar de cerveja,
por exemplo, na Mesopotâmia, pode ser associada
às primeiras técnicas de plantio e armazenamento
de grãos.
Já o vinho surgiu séculos
depois, no auge da civilização grega,
como indicativo de posição social. O mais
antigo registro do seu consumo data de cerca de 870
a.C., quando o rei assírio Assurnasirpal II,
comemorando a inauguração da nova capital
Nimrud, serviu a seus 70 mil convidados o equivalente
a 10 mil jarros da bebida para demonstrar sua riqueza.
Então vieram os romanos, que adotaram os vinhos
mais finos e as técnicas de preparo da Grécia,
chegando a transplantar videiras das ilhas gregas.
A etapa seguinte na evolução
das bebidas se deu com o conhecimento do processo de
destilação, um dos muitos aspectos da
sabedoria antiga preservados e aprimorados pelos árabes.
O aparecimento dos destilados ocorreu ao mesmo tempo
em que os exploradores europeus começavam a abrir
as rotas marítimas em direção ao
Oriente e ao chamado Novo Mundo. Primeira bebida globalizada,
o rum já era consumido em Barbados quando os
navegadores ingleses ali aportaram. De lá, o
“mata-diabo” (como era chamado) espalhou-se
pelo Caribe e para além dele, e influenciou a
relação das metrópoles européias
com suas colônias. Sua taxação precipitou
o processo de independência dos Estados Unidos
através da Lei do Melaço, imposta pelo
governo britânico. Da mesma forma, o chá
provocou embates na Ásia, onde a disputa pelo
comércio das folhas resultou na Guerra do Ópio
e na exploração crescente da China.
Intitulado na obra como “o grande
incentivador da sobriedade” e precursor da Idade
da Razão – em que os pensadores ocidentais
avançaram para novas idéias –, o
café teve sua difusão ligada à
propagação do racionalismo na Europa e
ganhou status de “epítome do progresso”.
As casas de café fomentavam o encontro dos intelectuais
e o debate do pensamento vigente. E o autor nomeia a
Coca-Cola como a bebida do século XX, ícone
da ascensão dos Estados Unidos, do triunfo do
capitalismo sobre o comunismo e do avanço da
globalização. Para encerrar a jornada
líquida, ele dedica um capítulo à
primazia da água – primeira a direcionar
o curso da história humana e forte candidata
a símbolo do futuro. |