JUNHO -  2006     N 144
 VITRINE
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e a água é a bebida por excelência, para Tom Standage, em seu livro História do mundo em 6 copos, há mais seis bebidas que se destacaram na trajetória da humanidade: a cerveja, o vinho, os destilados, o café, o chá e a Coca-Cola. Segundo Standage, nos últimos 10 mil anos, elas assumiram funções   variadas,   chegando  a  ser  usadas   em   transações   de escravos como moeda, em rituais religiosos e até como fonte de inspiração  filosófica e artística. Algumas têm servido  para ressaltar
o poder da elite ou para subjugar e apaziguar os oprimidos. E, ainda, para celebrar nascimentos, homenagear mortos, estabelecer e fortalecer relações sociais, selar negócios e tratados, aguçar os sentidos, entorpecer a mente, curar ou envenenar.

Essas bebidas – das quais três contêm álcool, três cafeína – ganharam proeminência em momentos, lugares e culturas diversos, desde as aldeias da Idade da Pedra até os salões de festas da Grécia antiga. A descoberta de uma forma rudimentar de cerveja, por exemplo, na Mesopotâmia, pode ser associada às primeiras técnicas de plantio e armazenamento de grãos.

Já o vinho surgiu séculos depois, no auge da civilização grega, como indicativo de posição social. O mais antigo registro do seu consumo data de cerca de 870 a.C., quando o rei assírio Assurnasirpal II, comemorando a inauguração da nova capital Nimrud, serviu a seus 70 mil convidados o equivalente a 10 mil jarros da bebida para demonstrar sua riqueza. Então vieram os romanos, que adotaram os vinhos mais finos e as técnicas de preparo da Grécia, chegando a transplantar videiras das ilhas gregas.

A etapa seguinte na evolução das bebidas se deu com o conhecimento do processo de destilação, um dos muitos aspectos da sabedoria antiga preservados e aprimorados pelos árabes. O aparecimento dos destilados ocorreu ao mesmo tempo em que os exploradores europeus começavam a abrir as rotas marítimas em direção ao Oriente e ao chamado Novo Mundo. Primeira bebida globalizada, o rum já era consumido em Barbados quando os navegadores ingleses ali aportaram. De lá, o “mata-diabo” (como era chamado) espalhou-se pelo Caribe e para além dele, e influenciou a relação das metrópoles européias com suas colônias. Sua taxação precipitou o processo de independência dos Estados Unidos através da Lei do Melaço, imposta pelo governo britânico. Da mesma forma, o chá provocou embates na Ásia, onde a disputa pelo comércio das folhas resultou na Guerra do Ópio e na exploração crescente da China.

Intitulado na obra como “o grande incentivador da sobriedade” e precursor da Idade da Razão – em que os pensadores ocidentais avançaram para novas idéias –, o café teve sua difusão ligada à propagação do racionalismo na Europa e ganhou status de “epítome do progresso”. As casas de café fomentavam o encontro dos intelectuais e o debate do pensamento vigente. E o autor nomeia a Coca-Cola como a bebida do século XX, ícone da ascensão dos Estados Unidos, do triunfo do capitalismo sobre o comunismo e do avanço da globalização. Para encerrar a jornada líquida, ele dedica um capítulo à primazia da água – primeira a direcionar o curso da história humana e forte candidata a símbolo do futuro.

 
 
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