
á
na infância, o sueco
Ingmar
Bergman
manifestava sinais da vocação
que o levaria a ser reverenciado como um
gênio do cinema – aos nove anos,
no Natal de 1927, ele se dispôs a
dar todo o seu exército de soldadinhos
de chumbo em troca do cinematógrafo
do irmão.
Sua estréia
como diretor aconteceu graças à
interferência de Victor
Sjöström,
consagrado cineasta sueco, que também
o influenciou na definição
de um estilo forte e inconfundível.
Desde o início, Bergman demonstrou
apurada sensibilidade para abordar os
conflitos mais íntimos do ser humano,
como desejo, solidão e religiosidade.
Noites
de circo,
de 1953, um de seus mais polêmicos
trabalhos, enfoca a conturbada relação
entre Albert, o diretor de um circo, e
sua amante Anna, ressaltando a falência
das relações afetivas. O
passo decisivo para sua consagração
internacional foi Sorrisos
de uma noite de amor,
de 1955, comédia romântica
que fala de encontros e desencontros amorosos.
No mesmo ano, Bergman realizou mais um
sucesso, Sonhos
de mulheres,
que disseca as ilusões da mente
feminina.
Não
há espaço para banalidades
na extensa obra do cineasta, apenas para
o essencial. O marco, para muitos, é
A
trilogia do silêncio,
cujo tema central é a ausência
de Deus diante das aflições
humanas. Através
de um espelho
(1961), abertura da série, é
um drama psicológico intenso, que
gira em torno da doença de Karin,
acometida por alucinações,
e de como isso se reflete na família,
trazendo à tona as angústias
recônditas de cada um. A seqüência,
Luz
de inverno
(1962), narra a história do pastor
Tomas Ericsson que, temendo o apocalipse
nuclear, passa por uma aguda crise de
fé. No desfecho, O
silêncio
(1963), duas irmãs, Esther e Anna,
defrontam-se com seus desejos reprimidos
e ressentimentos.
Mais do que apresentar respostas, o cinema
de Ingmar Bergman é um estímulo
à reflexão. Filmes como
O
sétimo selo
(1956), Persona
(1966), Gritos
e sussurros
(1972), Cenas
de um casamento
(1974), Saraband
(2003), entre muitos outros, suscitam
questionamentos profundos, definitivamente
perturbadores. “Ingmar continua
sendo um cineasta incomparável”,
afirmou Liv
Ullmann, ex-mulher e musa inspiradora
do diretor. “Acho que a humanidade
ainda precisa muito dele”.