ESPECIAL DVD - AGOSTO -  2006     N 16
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á na infância, o sueco Ingmar Bergman manifestava sinais da vocação que o levaria a ser reverenciado como um gênio do cinema – aos nove anos, no Natal de 1927, ele se dispôs a dar todo o seu exército de soldadinhos de chumbo em troca do cinematógrafo do irmão.

Sua estréia como diretor aconteceu graças à interferência de Victor Sjöström, consagrado cineasta sueco, que também o influenciou na definição de um estilo forte e inconfundível. Desde o início, Bergman demonstrou apurada sensibilidade para abordar os conflitos mais íntimos do ser humano, como desejo, solidão e religiosidade.

Noites de circo, de 1953, um de seus mais polêmicos trabalhos, enfoca a conturbada relação entre Albert, o diretor de um circo, e sua amante Anna, ressaltando a falência das relações afetivas. O passo decisivo para sua consagração internacional foi Sorrisos de uma noite de amor, de 1955, comédia romântica que fala de encontros e desencontros amorosos. No mesmo ano, Bergman realizou mais um sucesso, Sonhos de mulheres, que disseca as ilusões da mente feminina.

 
DISPONÍVEIS EM DVD
  Coleção Ingmar Bergman:
Gritos e sussurros (1972)
A fonte da donzela (1959)
Morangos silvestres (1957)
O sétimo selo
(1956)
  A trilogia do silêncio:
Através de um espelho
  (1961)
Luz de inverno (1962)
O silêncio (1963)
  Coleção Bergman Anos 50:
Sorrisos de uma noite
  de amor
(1955)
Sonhos de mulheres (1955)
Noites de circo (1953)
  A flauta mágica (1975)
  Cenas de um casamento
(1974)
  Persona (1966)

Não há espaço para banalidades na extensa obra do cineasta, apenas para o essencial. O marco, para muitos, é A trilogia do silêncio, cujo tema central é a ausência de Deus diante das aflições humanas. Através de um espelho (1961), abertura da série, é um drama psicológico intenso, que gira em torno da doença de Karin, acometida por alucinações, e de como isso se reflete na família, trazendo à tona as angústias recônditas de cada um. A seqüência, Luz de inverno (1962), narra a história do pastor Tomas Ericsson que, temendo o apocalipse nuclear, passa por uma aguda crise de fé. No desfecho, O silêncio (1963), duas irmãs, Esther e Anna, defrontam-se com seus desejos reprimidos e ressentimentos.

Mais do que apresentar respostas, o cinema de Ingmar Bergman é um estímulo à reflexão. Filmes como O sétimo selo (1956), Persona (1966), Gritos e sussurros (1972), Cenas de um casamento (1974), Saraband (2003), entre muitos outros, suscitam questionamentos profundos, definitivamente perturbadores. “Ingmar continua sendo um cineasta incomparável”, afirmou Liv Ullmann, ex-mulher e musa inspiradora do diretor. “Acho que a humanidade ainda precisa muito dele”.

 
 
 
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