ESPECIAL DVD - AGOSTO  -  2006     N 16
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amelos também choram registra o episódio real de uma mãe camela que, após um parto demorado e complicado, rejeita seu filhote recém-nascido, um raro albino. Mas o belíssimo documentário, rodado durante a primavera no Deserto de Gobi, no sul da Mongólia, mostra mais do que o drama animal. São desvelados, de maneira leve e graciosa, os costumes e as tradições do povo mongol, o cotidiano de uma família de pastores nômades, os contrastes provocados pela chegada da civilização e da modernidade em um lugar ermo. O espectador praticamente não nota interferências externas – é como se a câmera fosse um equipamento auto-suficiente e solitário, gravando cenas no silêncio de um olhar.

A ação do filme gira em torno do impasse da camela e de seu filho abandonado, que necessita de amamentação e carinho materno para sobreviver. Todas as tentativas dos criadores para uni-los fracassam. Os anciãos da família a que pertencem os camelos decidem, então, recorrer à sabedoria milenar, passada de geração em geração, e enviam dois garotos até a cidade em busca de um violinista. O músico é convocado para realizar o ritual Hoos, em que o som emitido por um violino arcaico, de duas cordas, acompanhado de um mantra, é capaz de sensibilizar a mãe camela e induzi-la a aceitar sua cria. Os mongóis acreditam que, para cada animal, existe um som correspondente, ou seja, um som capaz de emocioná-lo e fazê-lo sentir-se mais próximo dos humanos.

Marcada pela sutileza inerente ao enredo, ao cenário e aos personagens (todos reais), a produção convida a uma sensível e exótica viagem cultural, repleta de descobertas. Para reforçar a forte ligação dos mongóis com a natureza, exibe ainda outro ritual, que celebra os espíritos da natureza. Segundo a crença mongol, esses espíritos protegem o homem do mau tempo e das doenças.

No decorrer do longa-metragem, também são contadas curiosas lendas. Entre elas, a de que o camelo desejava integrar o zodíaco chinês, e, como não foi incluído, Deus resolveu compor seu corpo juntando diferentes partes dos animais do horóscopo. Outro conto lendário afirma que o camelo teria emprestado seus chifres a um veado, para que este fosse a uma festa. E é por isso que os camelos vivem com os olhos fixados no horizonte, à espera de que o veado regresse e os devolva.

Em Camelos também choram, os animais, além de protagonistas, transmitem uma lição de humanidade. Na visão do italiano Luigi Falorni – que assina a direção junto com Byambasuren Davaa, nascida na Mongólia –, “é uma história de salvação, da perda do amor e da luta para reconquistá-lo”. O diretor completa: “O pequeno camelo faminto representa todos nós, em nossa constante busca de proteção, necessitando fazer parte de alguma coisa, ter seu próprio lugar. Seu destino é uma prova clara de que a vida não é possível sem amor”.

  Alemanha/
Mongólia, 2003
Direção:
Byambasuren Davaa e Luigi Falorni

Preço:
R$ 29,30
Preço Mais Cultura:
R$ 26,37
 
 
 
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