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com Bobby Moresco,
o filme retrata, sem atenuantes, uma sociedade em
conflito a partir da intolerância racial
nos Estados Unidos. Na trama, histórias individuais,
passadas na cidade de Los Angeles, se entrelaçam
em uma série de coincidências que têm
desenlaces perturbadores. Como prevê o cineasta,
“ninguém sai do filme sem ser afetado.
E quem acha que sabe a verdade no começo, logo
descobre que não sabe de nada”.
Um policial racista e seu colega
compreensivo; um chaveiro mexicano; uma grã-fina
e seu marido promotor; um investigador negro; um comerciante
de origem árabe; um diretor de televisão
afro-americano e sua esposa; dois ladrões de
carro; um casal chinês de meia-idade. Vivendo
realidades totalmente diversas, esses protagonistas
se cruzam pelas ruas da cidade em situações
irônicas e de extrema tensão, expondo
seus preconceitos, fragilidades e ressentimentos.
Na visão do ator Don
Cheadle, Crash
aborda sentimentos adormecidos que pairam na superfície,
prestes a emergir. “Neste filme, eles vêm
à tona. É realmente uma investigação”,
comenta.
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Às voltas com seus
dilemas ideológicos, os personagens fazem
descobertas profundas, imprevisíveis
e impactantes, como a ilusória sensação
de segurança que experimentam em Los
Angeles. “Não estamos livres de
nós mesmos, de nossos preconceitos ou
do preconceito dos outros”, reflete a
atriz Sandra
Bullock,
que, no papel de uma dona-de-casa intransigente,
se vê desamparada e solitária em
seu círculo social.
Esperança e desilusão
mesclam-se no desfecho desse drama urbano de
caráter universal. Crash
suscita questões surpreendentes e atuais,
levando o espectador a reavaliar os próprios
conceitos e atitudes. A premiação
nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro
Original e Melhor Montagem no Oscar 2006 atestam
a relevância desta obra provocante e reveladora.
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