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 que
leva a maioria das pessoas a sonhar com
um sanduíche gorduroso ou um doce
de chocolate? O médico inglês
Robert
Winston, um
dos cientistas mais conhecidos na Grã-Bretanha,
analisa estas e outras questões
em sua obra Instinto
humano.
O livro discute o quanto do comportamento
humano é influenciado por impulsos
primitivos. Em outras palavras, como o
homem moderno se assemelha ao homem primitivo
quando os instintos de sobrevivência
estão em jogo. |
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Sobre o banquete calórico, Winston
lembra o dia-a-dia de nossos ancestrais. A combinação
"carne e doce" mata a fome mais rapidamente
e, naquele tempo, esse tipo de alimento era escasso.
Se hoje ficamos felizes quando vemos o anúncio
de fast-food é porque se conservou em
nosso inconsciente o desejo maior dos homens que habitavam
as savanas africanas, nosso berço pré-histórico.
Para o autor, o instinto é uma
mão invisível que está presente
em toda a nossa vida. O pesquisador acompanha desde
os traços mais básicos, como o da sobrevivência
– que à luz da genética significa
preservar nossos genes e transmiti-los ao máximo
de descendentes – até os valores que parecem
ter sido moldados pela vida em sociedade: preservação
da prole, contenção da violência,
senso de família e de grupo.
Como exemplo, ele cita o mito da madrasta
má, presente em aldeias indígenas e metrópoles.
Padrastos e madrastas "não querem gastar
seus preciosos recursos em crianças que não
tenham seus genes", diz o autor. A ciência
reconhece o instinto, mas padrões de conduta
condenam extremos, como o infanticídio. Ainda
assim, até hoje, entre os índios Ache,
o futuro de uma criança cujo pai morreu é
incerto se ela vier a ter um padrasto.
Até o enjôo matinal das
grávidas parece ser um instinto preservado. Durante
os três primeiros meses de gestação,
o corpo da mulher precisa se habituar à presença
de uma criança em seu útero. Seu sistema
imunológico "baixa a guarda", deixando-a
suscetível à invasão de bactérias
e vírus. Para evitar doenças, certamente
prejudiciais ao bebê nessa fase, a mãe
se abstém de prováveis agentes infecciosos.
Qualquer indício de contaminação
alimentar, por menor que seja, provoca náusea,
o que acaba gerando rejeição a alimentos
de origem animal como carnes, ovos e leite.
Um dos aspectos curiosos do livro,
que originou inclusive uma série exibida no Fantástico
da TV Globo, refere-se às teorias sobre o cérebro,
órgão superestimado que nos diferencia
dos macacos, nossos "parentes" mais próximos.
Por que nosso cérebro é três vezes
maior que o de um primata? Por que ele se especializou
tanto, desenvolvendo uma área enorme para associação
e linguagem? O cientista evita respostas conclusivas.
Talvez tenhamos um cérebro maior para aumentar
nosso sucesso evolutivo no planeta, e por isso aprendemos
a nos comunicar – avisar quando há perigo
ou quando acabou a comida, por exemplo.
Num outro extremo, é possível
dizer que o cérebro – ou o uso adequado
dele, perceptível durante um bom papo –
funcione como atrativo entre homens e mulheres, um recurso
usado para encantar, tal qual a cauda colorida do pavão
durante o flerte... Esse é apenas o começo
das divertidas observações apresentadas
em Instinto
humano.
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