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a mulher geralmente é quem norteia
a família, na casa dos Borges ela
é também a líder
quando o assunto é cultura. Contagiados
pelo entusiasmo de Rosana, o marido Élcio
e os filhos Gabriel e Felipe pegaram o
vício da leitura e costumam passar
bons momentos juntos em função
dos livros. Em suas reuniões literárias,
os quatro falam sobre as histórias,
trocam idéias e, com isso, o assunto
extrapola para fatos do dia-a-dia.
Analista
de sistemas formado pela PUC-Campinas,
Élcio é consultor e começou
a ler intensamente nos últimos
anos por influência da esposa. Hoje
é um leitor voraz, que dedica pelo
menos meia hora de manhã e à
noite para a leitura. "Tornou-se
um hábito que me dá muito
prazer", afirma. "Escolho não
apenas livros técnicos, mas clássicos
e best sellers. Resolvi ler Shakespeare
pela
primeira vez e me encantei com O
mercador de Veneza. Adorei
As
crônicas de Nárnia,
de C.
S. Lewis,
Amor
é prosa, sexo é poesia,
de Arnaldo
Jabor,
e agora estou totalmente entretido com
Labirinto,
de Kate
Mosse.
Quando não estou viajando a trabalho,
faço questão de participar
das sessões de leitura que instituímos
em família."
Para Rosana,
que sempre procurou incentivar todos a
ler, essa interação é
motivo de orgulho. Ela conta que se encantou
pela primeira vez com um livro aos 10
anos. "Foi inesquecível. Até
então, só os gibis me atraíam.
Ganhei O
Pequeno Príncipe
de um professor, e a história me
marcou profundamente, me abriu para um
novo mundo. Descobri o prazer da leitura
e não conseguia mais parar de ler.
Nem mesmo durante as férias em
Bertioga – enquanto as outras crianças
estavam correndo e brincando, eu me deliciava
na biblioteca.”
Farmacêutica
bioquímica, com mestrado em engenharia
na Poli, ela nasceu em Campinas e mudou
para São Paulo quando se casou,
em 1993. Trabalhando na Cetesb, fora os
livros voltados à profissão,
sempre gostou de ler de tudo e, depois
que os filhos nasceram, acrescentou dois
gêneros à sua diversificada
lista: educação e psicologia.
"Enquanto os meninos estão
entretidos fazendo a lição
de casa, eu me dedico à leitura,
aproveitando o pouco tempo disponível
entre trabalho e tarefas caseiras. É
maravilhoso, a gente entra num mundo tão
diferente...”
Essa fascinação
dos pais levou as crianças a mergulhar
no universo literário desde pequenas.
Gabriel, de 10 anos, adora histórias
de mistério, de detetive, aquelas
em que procura adivinhar o final. Já
Felipe, de 8 anos, se encanta mais com
humor e piada.
"Gostei
da coleção Salve-se
quem puder, com livros cheios de
dicas e pistas", comenta o irmão
mais velho. "E também da coleção
Para gostar de ler. Achei Gol
de padre e outras crônicas (de
Stanislaw
Ponte Preta)
um dos livros mais legais. São
histórias pequenas e divertidas,
eu lia uma por dia."
O caçula
Felipe, por sua vez, prefere comédias
em que os personagens se atrapalham, fazem
palhaçadas, acabam se machucando
e depois aprendem a lição,
como diz. "Me diverti com a coleção
O pequeno vampiro: 12 livrinhos
sobre as peripécias de um vampiro
que mora num porão. Ele sai da
cripta, faz amizade com os humanos e apronta
uma série de confusões (Rosana
diz que o menino fica totalmente absorto
com esses livros, não quer parar
nem para comer). Adorei também
Coração de
criança – O livro dos bons
sentimentos, que tem pequenas
histórias sobre os sentimentos,
e Almanaque
de puns, melecas e coisas nojentas,
que explica o que acontece no corpo humano."
O momento
de integração da família
em torno dos livros ocorre à noite,
quando todos se reúnem no quarto
do casal para ler. Essa atividade, chamada
por eles de "hora do conto",
começou com a mãe contando
histórias para os pequenos e agora
vale tudo: ler baixinho ou em voz alta
para os outros ouvirem e comentar os textos,
num processo de interação
muito gostoso, segundo Rosana. "É
um horário que tiramos para ficar
juntos, após os afazeres e a correria
do dia."
Para aqueles
que desejam saber como despertar nos filhos
o hábito da leitura, a recomendação
do casal é: perseverança.
"Tem todo um caminho a ser percorrido
desde que as crianças são
pequenas", enfatiza Élcio.
"Um dos primeiros passos é
buscar livros mais acessíveis,
com muitas figuras, e contar histórias.
Mas o principal é o adulto se predispor
a participar e dar o exemplo."
Além
da leitura, os quatro integrantes da família
Borges costumam ir ao cinema, assistir
a filmes em DVD e viajar sempre que possível.
Os meninos gostam de praticar esportes,
principalmente natação.
Por vontade própria, começaram
a aprender inglês e já estão
arranhando as primeiras leituras nesse
idioma. Gabriel também curte pintar
– faz aulas de desenho – e
Felipe iniciou uma coleção
de selos.
Propiciar
a outras pessoas o prazer da literatura
é outra empreitada a que se dedicam:
freqüentam abrigos para menores carentes
na periferia como voluntários num
projeto de recreação e pretendem
montar uma espécie de biblioteca
circulante para essas crianças
que praticamente não dispõem
de nenhuma opção de lazer.
O amor aos
livros leva a família toda à
Livraria
Cultura
do Shopping Villa-Lobos no mínimo
uma vez por semana. "As vendedoras
da Cultura
me ajudaram a ampliar o interesse dos
meninos pela leitura", destaca Rosana.
"Com um jeitinho todo especial, elas
pegam os livros e apresentam a história
para os pequenos. Ficamos muito à
vontade na Livraria
Cultura,
onde são todos atenciosos e conhecem
o que estão vendendo. A gente não
compra só livros, mas também
CDs e DVDs, além de tomar aquele
cafezinho delicioso. E ainda tem o jornal
Cultura
News,
que nos ajuda mostrando os lançamentos
e dando dicas maravilhosas."
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