|
Era
uma vez um rei que tinha sete filhos, cada
um nascido num dia da semana. O rei lhes
deu o nome do dia em que nasceram: um se
chamava Domingo, outro Segundo, outro Terça...
(Lá
vem história)
la
sabe, como poucos, cativar o público
infanto-juvenil. Ágil e imaginativa,
Heloisa
Prieto é
uma talentosa contadora de histórias
– dom herdado da família "aventureira",
como define, já que cresceu ouvindo
todo tipo de contos de fadas e lendas populares
de diferentes culturas do mundo.
A premiada
escritora começou a criar os próprios
enredos há mais de 20 anos, quando,
lecionando na Escola da Vila, em São
Paulo, inventava situações
malucas que divertiam a meninada. O primeiro
conto, Uma armadilha para o Conde Drácula
(da coletânea Vice-versa
ao contrário),
foi para o suplemento Folhinha,
da Folha de S.Paulo. Desde então,
não parou mais de escrever, o que
já resultou na publicação
de mais de 40 livros. Entre eles, há
mitos e lendas universais, como Lá
vem história,
32
casos de amor,
Divinas
aventuras;
histórias resgatadas da memória
familiar, como Dragões
negros,
O
cachorro que sabia dar risada
e A
guerra dos gatos contra a bruxa da rua;
e narrativas sobre temas contemporâneos
polêmicos, como Balada
e a série
Mano,
em co-autoria com o jornalista Gilberto
Dimenstein.
Praticante
de tai chi e meditação,
ela lançou recentemente O
imperador amarelo,
uma coletânea de fábulas e
aforismos dos antigos mestres chineses.
Os ensinamentos, compilados em parceria
com o psiquiatra e escritor Paulo
Bloise, mostram
uma visão generosa e bem-humorada
da natureza humana. O próximo livro,
dando continuidade à série,
será A tábua de
esmeraldas, com fábulas
clássicas dos antigos alquimistas.
Além disso, em homenagem ao seu pai,
a autora está lançando A
panela da paz,
contando as peripécias que ele viveu
com a "turma do barracão"
e a pequena gibiteca que montaram em segredo.
As
leituras sempre contribuíram para
acentuar sua paixão pela escrita.
A começar pelo Sítio
do Picapau Amarelo,
que ganhou do avô. "Lendo as
aventuras de Pedrinho, Emília e Narizinho,
eu apreciava cada vez mais o mundo que me
cercava, imaginando aventuras, diálogos
fictícios com os personagens. Lobato
foi uma influência definitiva para
mim. A família me presenteava muito
com livros e fui percebendo que, ao compartilhar
os textos escolhidos por cada um, eu passava
também a conhecer outra faceta daquelas
pessoas, algo que não transparece
no convívio social."
"Nos meus 20 anos, descobri Proust
e Jorge
Luis Borges, que continuo
relendo avidamente até hoje",
comenta. "No ano passado me apaixonei
pela obra de Sylvia
Plath e, atualmente,
me divido entre o texto de um grande contador
de histórias, o russo Nikolai
Leskov, e as sutilezas
poéticas de Rainer
Maria Rilke."
Para Heloisa,
o prazer de ler acontece quando o texto
desloca o leitor para além das próprias
palavras. Ela conta que, durante a pesquisa
para compor A tábua de
esmeraldas, leu que nos primórdios
da era dos livros, no Antigo Egito, a escrita
era considerada como uma forma de alcançar
um novo estágio de percepção
do mundo, uma espécie de iniciação
mágica. "A queima das antigas
bibliotecas, a perseguição
aos escritores estão relacionadas
com o poder mágico que se atribuía
ao ato de ler. E a leitura, realmente, contém
uma dimensão imprevisível.
A união do imaginário do autor
com o do leitor desencadeia um jogo infinito
e incansável, uma espécie
de labirinto fantástico, cujo percurso
final é a descoberta de si mesmo,
uma das maiores aventuras de toda uma vida".
Suas indicações:
Haroun
e o mar de histórias,
de Salman
Rushdie. Haroun é
filho de um contador de histórias
que perde o dom da palavra. Para ajudar
o pai a recuperá-lo, o garoto viaja
até o fantástico mar onde
nascem as narrativas. Aventura, encantamento
e o talento de um dos maiores escritores
contemporâneos.
Meu
vô Apolinário,
de Daniel
Munduruku. Um avô
ensina ao neto a arte de conversar com a
natureza e aprender com o rio, como fluir
no mundo dos adultos e da cidade grande.
A sutileza e a percepção aguçada,
típicas da cultura indígena,
na prosa gostosa de um grande autor nacional.
Histórias
maravilhosas de Andersen.
Contos que marcaram a infância de
várias gerações de
leitores na prosa poética incomparável
de Hans
Christian Andersen.
Meu
lugar no mundo,
de Sulami
Katy. A adolescência
e todas as suas descobertas no contexto
de uma comunidade indígena. Namoro,
iniciação à vida adulta
e aventuras na mata narradas pela prosa
bem-humorada da jovem potiguara Sulami
Katy.
Lúcio
vira bicho,
de Ricardo
Azevedo. Logo após
o término da prova do vestibular,
um jovem cai na estrada da vida, corre o
risco de perder a identidade e mergulha
na descoberta do amor. Um resgate do enredo
de O
asno de ouro,
de Apuleius,
do século 2 a.C.
O
livro dos seres imaginários,
de Jorge
Luis Borges. Um portal
para o mundo invisível das criaturas
mágicas que acompanham a humanidade
desde o início dos tempos. O talento
incomparável de Borges
presta um serviço à criança
eterna dentro de todos nós.
Os
bichos que tive,
de Sylvia
Orthof. A lógica
infantil contém meandros malucos
que Sylvia
Orthof captura e traduz
em contos irônicos e divertidos, abrangendo
desde o bicho-do-pé até o
bicho-papão, entre muitas criaturas
inesperadas.
A
cartola mágica de Lulu,
de Susan
Meddaugh. Numa família
de mágicos itinerantes, como exercer
um dom transferido de geração
a geração, quando você
é um filho adotado? Magia, aventuras
e surpresas abordam com muita delicadeza
o tema da adoção.
Poemas
para brincar,
de José
Paulo Paes. Se "a
poesia é um brinquedo que nunca se
gasta", conforme afirma o autor, nada
melhor do que esses poemas de puro encanto
para enriquecer a sensibilidade desde cedo.
Histórias
de quadros e leitores,
de Marisa
Lajolo. Uma criativa
antologia de contos, na qual telas clássicas
são pontos de partida para textos
deliciosos de autores como Ana
Maria Machado, Moacyr
Scliar e Luiz
Ruffato, entre outros.
A
semente que veio da África,
de Heloisa
Pires Lima. Uma viagem
literária ao universo africano que,
na verdade, já habita cada criança
brasileira. Jogos, contos e fotos são
capturados pela autora com muito carinho
e cuidado.
|