roubo de um filhote de pingüim, habitante de um
zoológico no sul do Reino Unido, provoca grande
comoção no país. De acordo com
o jornal The Daily Telegraph, os pais estão
se consumindo por sua cria de três meses, apanhada
por ladrões. Os donos do zoológico atribuem
o episódio à divulgação
do filme A
marcha dos pingüins."
Publicada há alguns meses,
esta curiosa notícia é uma amostra da
repercussão gerada pelo documentário
do cineasta francês Luc
Jacquet –
um registro grandioso da jornada do pingüim-imperador
para sobreviver no continente antártico, desde
o início de sua marcha para a procriação
até o momento em que retorna ao oceano. Com
uma história permeada por sentimentos humanos,
como amor e perseverança, o filme alcançou
recorde de bilheteria no gênero em vários
países, conquistando ainda o Oscar 2006 de
Melhor Documentário.
O interesse pelo tema surgiu em 1992, quando Luc
Jacquet
fez uma viagem para a base francesa Dumont d’Urville,
na Antártida. Desde então, passou a
investigar a vida dessa espécie que, durante
o inverno austral, marcha em direção
às banquisas para acasalar e proteger seus
filhotes, enfrentando heroicamente uma temperatura
média de 40ºC abaixo de zero. "Foi
uma sorte eu descobrir essa história adormecida
sob o gelo. É um grande privilégio e
uma grande responsabilidade contá-la pela primeira
vez", afirmou o diretor.
As imagens mostram em detalhes essa difícil
jornada e o impressionante cenário que a cerca.
Durante a produção, a equipe resistiu
bravamente ao frio impiedoso do ‘deserto branco’
e ainda teve de lidar com o imprevisível, muitas
vezes esperando dias para conseguir gravar. Conforme
observa o cinegrafista Laurent Chalet, "as cenas
não constituem apenas uma captação
dos fatos puramente biológicos, mas evocam
uma emoção, um momento especial".
Na versão original, em francês, os atores
Charles Berling e Romane Bohringer interpretam as
vozes do casal de pingüins que protagoniza a
saga. "O espaço lá é tão
imenso, tão poderoso, que a tendência
é sussurrar para não atrapalhar",
explica Berling. Vale ressaltar também a inusitada
trilha sonora de Émile Simon, composta especialmente
para o filme.