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uma incubadora de empresas para jovens
carentes, incentivando-os a abrir pequenos
negócios no ramo da alimentação
em suas comunidades. Esse foi o caminho
encontrado pelo chef David Hertz
para realizar duas aspirações:
trabalhar com gastronomia e, ao mesmo
tempo, contribuir para a qualidade de
vida da população de baixa
renda, proporcionando novas condições
de aprendizado e de sustento. Foi com
esse objetivo que ele montou o programa
Gastromotiva, de capacitação
profissional.
O ingresso
de David no universo gastronômico
ocorreu em 1992, quando esse curitibano,
então com 18 anos, abandonou a
faculdade de engenharia para passar um
ano em Israel. “Ao chegar lá,
fui recebido por uma família de
judeus indianos”, conta. “Eu
passava a semana inteira no kibutz,
aguardando ansiosamente as sextas-feiras
para chegar em casa e saborear a comida
indiana. Descobri um mundo diferente.
Trabalhei como garçom e como camareiro
num hotel, com o intuito de juntar algum
dinheiro e viajar para o Oriente. Visitei
a Tailândia, a Índia, o Vietnã,
a China, sem saber bem o que queria da
vida. O que me marcou muito nesses locais,
além das pessoas, foi a comida.
Percebi com satisfação o
quanto eram frescos e agradáveis
os aromas daquelas refeições.
Passei mais cinco anos viajando: Londres,
Canadá, Nova York..., sempre trabalhando
como garçom e como ajudante de
cozinha.”
Cansado
de não ter endereço fixo,
ele finalmente decidiu retornar ao Brasil
em 1998. Aproveitando o conhecimento adquirido
ao longo de todos esses anos, passou a
trabalhar em restaurantes na cidade de
São Paulo. “Tive oportunidade
de ver como funcionava esse tipo de empreendimento
aqui”, ressalta. “Fui saladeiro
e pâtissier, fazia sobremesas
deliciosas. Aprendi bastante e até
ajudei a montar alguns restaurantes, na
qualidade de chef consultor.
Como eu sempre quis estudar, também
cursei Gastronomia no Senac e comecei
a dar aulas de cozinha asiática
na Faculdade Anhembi Morumbi.”
Foi em função
de um convite para participar do programa
Cozinheiro Cidadão, na favela do
Jaguaré, que o chef-professor
entrou em contato com jovens da periferia.
“Nunca havia pisado numa favela
e esse projeto realmente mudou minha vida.
Após criar o programa e coordenar
a turma-piloto, resolvi montar uma organização
sem fins lucrativos, um negócio
auto-sustentável para ensinar e
dar oportunidade de trabalho a jovens
carentes. A Gastromotiva começou
há dois anos na cozinha da minha
casa, incentivando-os a abrir pequenos
restaurantes, oferecer serviços
de buffet ou se tornar cozinheiros.
A fim de transformar esse sonho em realidade,
foi montado inclusive um serviço
de buffet, que gera renda e serviços
para os alunos.”
O espírito
inquieto de David impulsiona-o constantemente
a criar coisas novas. Hoje, além
de gerenciar a Gastromotiva, ele cuida
do buffet, presta consultoria
para cardápios de restaurantes,
dá aulas de gastronomia e de culinária
asiática, entre outras atividades.
Seu dia-a-dia é corrido e começa
cedo, com um passeio acompanhado por seus
dois cães de estimação.
À noite, para relaxar, costuma
fazer ioga, exercícios físicos
e, como não poderia deixar de ser,
cozinhar. Não apenas por exigência
do ofício, mas por gosto, não
dispensa as idas a bons restaurantes,
reservando sempre um tempo para sentar
com calma e comer bem. Viajar continua
sendo uma grande paixão. E, seja
qual for o país, faz questão
de conhecer os mercados locais e os restaurantes
típicos que, segundo ele, transmitem
a cultura do lugar.
Na sua opinião,
qualquer pessoa pode cozinhar bem, desde
que queira. “É uma atividade
que mexe com os sentidos. Através
dela, o indivíduo se libera. Quando
estou muito agitado, paro tudo, organizo
minha cozinha, faço um prato e
só então, mais calmo, volto
às minhas atividades. Já
para ser um bom chef, o principal
requisito é ter uma ‘liderança
servidora’ – os chefs
lideram e motivam uma equipe que trabalha
pesado; precisam, portanto, saber ensinar
e ter jogo de cintura. Além disso,
é indispensável ter cultura
e estar aberto a outros costumes, procurando
conhecer diferentes culinárias,
sem nenhum preconceito.”
Descobrir
significados para tudo aquilo que está
ligado à cozinha é mais
do que uma filosofia para David: “O
que fascina um chef é
o ingrediente e sua história. Na
Índia, por exemplo, eu me encantei
ao descobrir como são as plantações.
As de cardamomo levam 10 anos para crescer
e, nesse período, os produtores
tomam cuidado para não colher mais
do que três frutos por dia. Por
trás disso, existe a filosofia
oriental, que dá muito valor a
tudo o que a vida proporciona.”
O jovem
professor ressalta que os livros sempre
o ajudaram nessa busca. “Livro é
principalmente descoberta, um momento
de reflexão. Quando estou montando
um cardápio, abro 3 ou 4 livros,
admiro aquelas cores e mesas, os ingredientes
que remetem aos mercados, e daí
vão surgindo as idéias.
Os livros fornecem referências fundamentais,
tenho centenas de volumes ligados à
gastronomia. Costumo ler também
obras consideradas de auto-ajuda, que
incentivam as pessoas, e livros técnicos
financeiros, histórias de negócios
que deram certo.”
Visitar
livrarias no exterior em busca de novidades
é um dos grandes prazeres de David
Hertz, o que ele faz com freqüência
também no Brasil, onde sua preferência
é sempre pela Livraria Cultura:
“Considero a Cultura uma das melhores
livrarias do mundo, sobretudo pela quantidade
e qualidade do acervo. Na minha área,
ela oferece uma grande variedade e, se
não encontro o que quero, é
só encomendar. O legal da Livraria
Cultura é que você se perde
lá dentro e, de repente, depara
com uma estante de livros diferentes.
Além disso, o atendimento é
sensacional, feito por pessoas que entendem
do assunto.”
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