primazia
do diálogo. Esta é uma das
características marcantes na extensa
obra do cineasta francês Eric
Rohmer,
lançada recentemente em DVD. Por
meio de discussões intensas, os
personagens trazem à tona um mundo
de emoções, oscilando entre
o amor e a desilusão, o prazer
e a culpa, expectativas e decepções
ante as incertezas do destino. A inconstância,
aliás, parece ser um traço
comum a todos eles.
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Conto
de outono |
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Trivial apenas na
superfície, o cinema de Rohmer
abriga profundas questões filosóficas
e existenciais. Suas câmeras, atentas
aos movimentos sutis, captam o que há
de extraordinário no cotidiano.
Flagram o que está implícito
no olhar e expõem sentimentos que
não se evidenciam no desenrolar
dos fatos. Na visão apurada do
diretor, quanto mais percebemos a realidade,
mais infinita, ambígua e misteriosa
ela se torna.
Nascido em 1920, na
França, Eric Rohmer iniciou seu
envolvimento com a sétima arte
quando estudava no Lycée Henri
IV, em Paris. A partir dos anos 1950,
tornou-se crítico de cinema: fundou
a La Gazette du Cinéma
e foi editor da Cahiers du Cinéma,
representante máxima da nouvelle
vague, ao lado de Jean-Luc
Godard,
François
Truffaut,
Jacques
Rivette
e Claude
Chabrol.
Juntos, eles revolucionaram a linguagem
cinematográfica.
Seu primeiro longa-metragem,
O
signo do leão,
é de 1959. Narra a história
do músico Pierre Wesselrin, que,
depois de receber um telegrama sobre uma
herança, amarga a decadência
moral. Em seguida, o cineasta passou a
desenvolver ciclos temáticos. Com
os Contos morais, ele inaugurou
“um cinema de pensamentos, em vez
de um cinema de ações”.
O maior destaque da série é
Minha noite com ela,
um drama sobre o desejo, a ética
e a traição, indicado ao
Oscar de melhor roteiro em 1969.
Nos anos 1980, o cineasta
dedicou-se à série Comédias
e provérbios, iniciada com o filme
A
mulher do aviador.
Seguiram-se outros sucessos, como Um
casamento perfeito,
Pauline
na praia,
Noites
de lua cheia,
O
raio verde
e O
amigo da minha amiga.
Entre 1990 e 1998, ele conduziu os famosos
Contos
das quatro estações,
que têm, como principais elementos,
as belas paisagens, a aparente trivialidade
dos enredos e as impossibilidades que permeiam
as relações amorosas.
Em seus filmes mais
recentes, como A inglesa e
o duque e Agente
triplo, Eric Rohmer confirma
o quanto é um autor contemporâneo.
Ao longo de quase meio século de
carreira, manteve-se absolutamente fiel
a situações reais, conferindo
à sua obra uma conotação
universal.