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budismo, que teve origem na Índia
há mais de 2.500 anos e conquistou
milhões de adeptos no mundo todo,
ensina caminhos para alcançar um
estado de equilíbrio e serenidade.
Este é o fio condutor de O
Buda,
realizado pelo talentoso ator e cineasta
argentino Diego
Rafecas.
Destaque no 1º Festival de Cinema Latino-Americano,
em 2006, o filme mescla crenças ocidentais
e orientais e personagens que buscam um
sentido maior para a existência.
O enredo narra
a história de dois irmãos
que, na infância, presenciam a violenta
prisão dos pais durante a ditadura
militar na Argentina. Criados pela avó,
eles trilham caminhos opostos. Rafael, o
mais velho (interpretado pelo próprio
Diego Rafecas), torna-se um austero e renomado
professor de filosofia, embrenhado na cultura
ocidental, cético quanto a qualquer
forma de religiosidade. Tomás, o
irmão caçula (Agustín
Markert), não consegue se adaptar
à rotina dos jovens de sua idade
e sente profunda necessidade de conquistar
a paz interior. Ele, que herdou do pai a
fé e a inspiração divina,
decide abandonar a vida material que leva
em Buenos Aires e partir rumo a um templo
budista nas montanhas de Córdoba,
movido pela convicção de que
todo homem guarda dentro de si um potencial
místico.
A
decisão de Tomás sensibiliza
todos à sua volta. Sua namorada Laura
(Carolina Fal), atriz e filha de
uma rica empresária, propõe-se
a compartilhar com ele o pensamento e as
práticas espirituais. Seu irmão
Rafael, mesmo descrente, resolve se empenhar
para compreendê-lo e ampará-lo,
impelido pelas lembranças e pelos
laços afetivos que os unem. Ambos
acabam se tornando cúmplices de Tomás
nessa experiência transcendental e
embarcam numa viagem em busca do saber,
o que os levará a um inesperado encontro.
O Buda reúne as duas maiores
paixões do diretor: o budismo e o
cinema. Consagrado monge zen em 1995, Rafecas
teve a idéia do filme quando conheceu
a história de uma monja, cujos pais
haviam sido vítimas da repressão
política, e ficou admirado com a
serenidade com que ela transcendeu sua dor.
Apesar do fundo político e do viés
religioso, o enredo não é
doutrinário. Abordando uma temática
contemporânea e universal, expõe
as dificuldades daqueles que se determinam
a evoluir espiritualmente, tendo diante
de si um conflitante contexto social. |
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