●   Home
●   Editorial
●   Entrevista
●   Especial
●   Gente que faz
●   Perfil
●   Minha Lista - CDs
●   Reportagem
●   Artigo
●   Minha Lista - DVDs
●   Entretenimento
●   Palavra de Especialista
●   Histórias das Cidades
●   Acontece
●   Música pelo Mundo
●   Contos na Cultura
●   Enviar para um amigo
●   Todas as edições









CONJUNTO NACIONAL
Av. Paulista, 2.073
CEP 01311-940
São Paulo, SP
Tel: (11) 3170-4033
Fax: (11) 3285-4457

SHOPPING
VILLA-LOBOS

Av. Nações Unidas, 4.777
CEP 05477-000
São Paulo, SP
Tel: (11) 3024-3599
Fax: (11) 3024-3570

MARKET PLACE SHOPPING CENTER
Av. Dr. Chucri Zaidan, 902
CEP 04583-903
São Paulo - SP
Tel: (11) 3474-4033
Fax: (11) 3474-4099

SHOPPING CENTER IGUATEMI
Av. Iguatemi, 777
CEP 13092-902
Campinas - SP
Tel: (19) 3751-4033
Fax: (19) 3751-4030

BOURBON
SHOPPING COUNTRY

Av. Túlio de Rose, 80
CEP 91340-110
Porto Alegre, RS
Tel: (51) 3028-4033
Fax: (51) 3021-1777

PAÇO ALFÂNDEGA
R. Madre de Deus, s/n
CEP 50030-110
Recife, PE
Tel: (81) 2102-4033
Fax: (81) 2102-4200

CASAPARK
SHOPPING CENTER

SGCV/Sul
Lote 22
CEP 71215-100
Brasília - DF
Tel: (61) 3410-4033
Fax: (61) 3410-4099


EXPEDIENTE

DIRETOR GERAL:
Pedro Herz

COORDENADORA ADMINISTRATIVA:
Milena Tincani

COORDENADORA EDITORIAL:
Thaís Arruda

EDITOR:
Sérgio Miguez

EDITOR-ADJUNTO:
Ruy Barata Neto

ASSISTENTE DE REDAÇÃO:
Camila Azenha

PROJETO GRÁFICO:
Eduardo Foresti

REVISORAS:
Mirian Paglia Costa e Potira Cunha

PRODUTORA GRÁFICA:
Elaine Beluco

COLABORADORES:
Bruñel Galhego, Daniel Bueno, Diego Castro, Heidi Strecker, Jayme Camargo, José Bassit, Márcia Minillo, Max Santos, Melissa Haidar, Tânia Meinerz e Thales Guaracy

AGRADECIMENTOS:
Carol Grespan, Editora Céu Azul de Copacabana, Editora Panaview, Gilberto Dimenstein, Gioconda Bordon, Joyce Pascowitch e Moacyr Scliar

PRÉ-IMPRESSÃO:
First Press

IMPRESSÃO:
Intergraf

JORNALISTA RESPONSÁVEL:
Thaís Arruda (MTB 27.838)

PUBLICIDADE:
milena@livrariacultura.com.br

WEB DESIGN:
Leonardo C. Lazo
Rafael D. Bento

SETEMBRO 2008 - Nº 14

Preços sujeitos a alteração sem prévio aviso. Os preços promocionais para associados do + Cultura são válidos de 9/09/2008 a 6/10/2008
Revista da Cultura é uma publicação mensal da Livraria Cultura S.A. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução sem autorização prévia e escrita. O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade dos respectivos anunciantes.
Todas as informações e opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores, não refletindo a opinião da Livraria Cultura.

CAPA:
Nicolas Guerin
Corbis/Latinstock







Atire a primeira pedra quem nunca saiu da exibição de uma produção de David Lynch cheio de dúvidas. Seguramente, todos que assistiram a cults como Veludo azul(esgotado), Cidade dos sonhos, A estrada perdida ou à célebre série de TV Twin Peaks gostariam de estar frente a frente com o americano de 62 anos para obter dele respostas àquelas perguntas angustiantes sobre o significado oculto de personagens, dos roteiros, das simbologias e até das músicas de seus trabalhos. Porém, se ele se esmera ao criar obras cinematográficas de interpretação aberta propositadamente, como autor de livros, o que mais quer é esclarecer mistérios. E não almeja discorrer sobre os menores; focaliza direto alguns dos maiores da humanidade: quer explicar as questões da mente, do conhecimento e da ampliação da consciência à que teve acesso por intermédio da meditação transcendental, que pratica há mais de três décadas.

O cineasta esteve pela primeira vez no Brasil, em agosto, para lançar seu livro Em águas profundas – Criatividade e meditação, que convida o leitor a mergulhar nas profundezas do autoconhecimento e do subconsciente. O título original em inglês, Catching the big fish, pode parecer ingênuo e pueril se “o grande peixe” não for entendido como metáfora para a grande idéia. “Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas, se quer um grande, terá que entrar em águas profundas”, ensina. O simpático diretor revela que obteve toda a inspiração para seus trabalhos por meio do mergulho no próprio inconsciente, da “pescaria” na qual utiliza como anzol seu crescente interesse pelas idéias grandes, completas e intensas. As iscas para “o peixe grande” seriam o foco e a atenção que o processo de meditação exige.

Ele lembra ainda que qualquer bom pescador sabe que é preciso dar muita linha no anzol (leia-se um mergulho longínquo, profundo e pessoal) para que seja possível capturar os maiores e mais saborosos peixes, ou seja, as melhores idéias, nas mais internas e inicialmente desconhecidas profundezas do ser. Quer deixar bem claro, porém, que o processo de meditação transcendental que descreve no livro não deve ser encarado como culto, religião ou filosofia. É apenas uma maneira de alcançar um grau de iluminação ou, em suas próprias palavras, o enlightenment.



A obra apresenta textos curtos, escritos em primeira pessoa e em tom autobiográfico, revelando as fortes influências que as técnicas de meditação trouxeram tanto para a sua vida pessoal quanto para a realização de suas obras no cinema e na pintura. O produtor explica que um ambiente de trabalho regido pelo medo, pelo sofrimento e pela opressão não é bom para ninguém em nenhuma circunstância, muito menos no cinema e nos sets. “A raiva, a depressão e o sofrimento são muito bonitos nos enredos dos filmes, mas venenosos para o cineasta, para o artista e para o profissional em geral”, afirma Lynch. “São como torniquetes na nossa criatividade”.

Segundo Lynch, a partir do momento em que as pessoas passam a se conhecer melhor e começam a mergulhar em si mesmas pela meditação, elas têm acesso a uma sensação de paz e felicidade como nunca antes experimentaram. E qualquer um pode alcançar isso. “Se você é um ser humano, consegue chegar nesse nível amplamente desperto da sua própria consciência. O único efeito negativo dessa técnica é causado à própria negatividade, da pessoa e do ambiente”.

O que você faz pela paz?
É por acreditar que o benefício da meditação pode ajudar a diminuir conflitos urbanos e sociais que também procura disseminar a técnica entre os jovens, realizando trabalhos em parceria com escolas. “A paz real não é somente a ausência da guerra; e sim a ausência das sementes da guerra, da negatividade, da violência”, explica Lynch.

De maneira franca, deixa claro em seu livro que, no princípio, em 1973, era cético em relação aos resultados da meditação criada e difundida pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi. Esta técnica tornara-se famosa por ter influenciado ninguém menos que os Beatles e a atriz Mia Farrow. Levado a conhecer a meditação pela irmã, lembra ainda que uma orientadora – parecida com a atriz Doris Day – o iniciou em um mantra que deveria ser repetido duas vezes por dia durante 20 minutos. Ele diz que não sentiu o tempo passar quando meditou pela primeira vez. Ao contrário, descreve o momento como se estivesse dentro de um elevador cujo cabo se rompera de repente, levando-o a uma queda livre. Relata que entrou em contato com uma sensação de felicidade que não era efêmera, mas sólida e de incomensurável beleza.

Afirma que foi o trabalho com as técnicas de meditação que o ajudou imensamente a lidar com sua inquietude e seus demônios. Quando questionado se o mantra específico era muito pessoal para ser revelado, o diretor diz que sim e acrescenta: “O efeito que a verbalização do mantra pessoal provoca - som vibrador do pensamento - é muito mais relevante para o mergulho interno do que o significado das palavras em si”.



Entre o amor e o ódio
O estilo de narrativa cinematográfica em sua obra é pouco ortodoxo e lembra pesadelos ou sonhos surreais, nos quais o design de som é tratado meti culosamente para acen-tuar as sensações. Esta abordagem característica nos roteiros, nos enredos e na direção de seus trabalhos deixa várias perguntas sem resposta em suas histórias – muitas vezes tidas como bizarras. Mas, por outro lado, é o que faz seus filmes serem únicos. Ele é seguido por uma legião de fãs que o alçaram à posição de cult, mesmo que suas obras nem sempre tenham representado sucesso comercial. E é exatamente por causa dessas escolhas que divide opiniões entre os cinéfilos e profissionais da área.

O produtor carioca Patrick Gauner, por exemplo, desmerece as obras do cineasta e seus fãs: “Ninguém entende nada do cinema de David Lynch, você sai da sala de exibição completamente confuso. Qual o prazer nisso? Um bando de gente sai das sessões se achando muito inteligente, se achando cult, exatamente porque não entendeu nada.”



Já o editor do site Almanaque Virtual e crítico de cinema do Jornal do Brasil, Mario Abbade, explica que o trabalho do diretor é surrealista e deve ser analisado como obra de arte. “Duas pessoas não conseguem apreciar um quadro sur-realista da mesma forma e a análise de cada um vai ser influenciada pela sua formação, por sua vida pessoal, por seus traumas, dentre outras características que tornam as pessoas únicas”, afirma Abbade, um dos mais fervorosos defensores do roteirista em todas as suas manifestações artísticas. Para ele, o cineasta quer que cada pessoa veja coisas diferentes e, por isso, não gosta de obras finitas. “Tanto que ninguém consegue não falar sobre seu filme após o final da sessão”, argumenta ao lembrar do célebre mistério “Quem matou Laura Palmer?”, motor da série de TV Twin Peaks e que ressoou na cabeça de telespectadores do mundo inteiro durante a década de 90. “Essas discussões levam dias e nunca chegam a uma conclusão. Isso é, no mínimo, genial!”

A formação de classe média, nos anos dourados do american way, exerce influência marcante na cinematografia do diretor, mas jamais de maneira direta. “Ele sempre vai além do óbvio, trilhando a face oculta do sonho americano. Seus heróis são inocentes, porque viajaram pela escuridão e emergiram do outro lado; criaturas extraordinárias tomadas por fraquezas, sempre acessíveis e abertas a tudo. Se pararmos para pensar, isso acontece com cada um de nós”, analisa Abbade.

Os diferentes argumentos mostram que, se não é possível chegar a um consenso entre os extremos, pelo menos a qualidade do debate está assegurada. Ajudaria na polêmica desfazer vários dos mistérios apresentados? Não, e ele mesmo já declarou ao longo dos anos e em diversas entrevistas que não dá respostas ou “gabaritos” dos enigmas que oferece. O que quer mesmo é que as pessoas fiquem em dúvida e debatam, para que tirem suas próprias conclusões. Sua passagem pelo Brasil, divulgando a meditação, é prova de que é, ainda hoje, muito bem-sucedido em seu intento de provocar, seja por questões cinematográficas ou não. Os mistérios continuam... ©







Site: www.livrariacultura.com.br
E-mail: livros@livrariacultura.com.br